quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Nunca mais!


Estou aqui, sentado no mesmo lugar que você me deixou, na mesma poltrona a meia luz, tomando o mesmo whisk barato, com o cinzeiro cheio de piedade. Coloquei na vitrola a Bachiana n°5, agora é só o que toca aqui em casa. É pra fazer juiz a esse clima pateticamente dramático que tomou conta de tudo, desde que você se foi. Coleciono dezenas de olhares seus em cada fotografia espalhada pela casa, são tantos...

Se eu soubesse que aquele seria o último abraço? Ah... Se eu soubesse... Eu teria te abraçado despido de qualquer medo, de qualquer angustia, ou dúvida, despido de qualquer orgulho, carregado da sinceridade mais pura e com ele diria todo o meu amor, mas eu não disse. Deixei-te ir, chorando por dentro, porque não tive coragem de chorar por fora, de mostrar minha “fraqueza”. Quanta estupidez...

Outro dia sonhei com você, eu estava deitado, com a cabeça em seu colo e você me afagava os cabelos enquanto repetia: “Não se martirize, meu amor! Não se martirize...”. Acordei chorando, você não estava lá, você nunca mais vai estar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário