terça-feira, 23 de outubro de 2012

Final Feliz


Havíamos acabado de transar, éramos duas pessoas completamente desconhecidas. É incrível como depois de gozar, neste caso, tudo torna-se meio impessoal. Eu sentei na beirada da cama, peguei o maço de cigarros que deixei no criado mudo, ascendi um e encostei a cabeceira. Ela me olhava curiosa.

- O que você faz?
- Escrevo. (tragando o cigarro)
- Sobre o que?
-Sobre o que eu penso, pequenas epifanias, contos, romances...
- E tá escrevendo alguma coisa agora?
- To trabalhando em um conto, mas não consigo terminá-lo.
- E por que não?
- O caso é que não sei que fim dar. Tudo que escrevo, geralmente é bem pessoal, tem tudo e todos a minha volta. Eu sou sujeito do que escrevo, mas sempre soube separar, sempre soube viajar em possíveis finais irreais. Agora neste caso... Sabe quando você não sabe o que pensar?  É como se eu fosse um livro inteiro e o resto das páginas pra frente, estivessem em branco. Eu não consigo ver, projetar. E eu sempre consegui, mas dessa vez é diferente.
- Sobre o que é?
- Um garoto que se apaixona por uma mulher mais velha.
- E o que isso tem a ver com você?
- Conheci uma mulher, ela nem é mais velha, mas me faz sentir assim, um garoto.
- Me da um cigarro?
- Você disse que não fumava.
- Não fumava, mas me deu vontade.
- Tá bem! Pega um. 

Ela pôs o cigarro na boca sem jeito nenhum, e eu ascendi pra ela. Na primeira tragada, teve um ataque de tosse. Eu ri e ela pareceu se irritar.

- Qual é a graça?
- Por que isso menina?
- Você me faz sentir como se eu fosse uma garota.

Peguei o cigarro das mãos dela e apaguei. Ela me olhava assustada, eu a beijei. O gosto do cigarro me excitava, beijei-lhe a nuca e lhe provoquei sussurrando sacanagens ao pé do ouvido. A cada sacanagem dita, ela estremecia em meus braços, completamente entregue, vulnerável a mim. Beijava-lhe os seios, a sentia com vontade e enquanto a tocava, ela gemia baixinho.Quanto mais a penetrava, os gemidos  aumentavam junto, até chegar ao descontrole sem pudor. E com a voz falha de tanto tesão, ela dizia ao pé do meu ouvido:

- Isso! Eu vou gozar, eu vou gozar... (repetidamente)

E gozou! Enquanto ela terminava, eu gozava vaidoso e satisfeito. Talvez aquela fosse uma boa sugestão para um final, talvez fosse disso que eu precisasse, um bom orgasmo pra um final feliz.

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