sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A garota do bar.


Aquela garota quando entrava no bar, tirava atenção até mesmo de um alcoólatra da sua cerveja. Comigo não era diferente. Que atire a primeira pedra quem nunca teve o coração dilacerado por ela. Eu já tinha escutado que o efeito era devastador, mas quem disse que eu conseguia tirar meus olhos dos dela?

Eu lhe paguei um drink, ascendi seu cigarro, abri cada porta pela qual ela passava. Falei de Bukowski, Dostoievski, como se ales pudessem impressionar mais que o sorriso dela, a presença delicada, porém forte, que fazia até o mais poderoso Deus do Olimpo sentir-se menos que um mero mortal. Assim ela entrou na minha vida, como na de outros antes de mim, como vai entrar na de outros depois.

Ama-la era uma das melhores e piores coisas que podiam acontecer a alguém. No cotidiano sendo um mero mortal e a noite em sua cama sendo quase um semi-Deus, era isso que ela sabia fazer sentir. Então quando menos se espera, não sobra nada daquele mero mortal e nem um resquício do tal semi-Deus, você só é aquele mesmo cara de antes, aquele sentado no fundo do bar e ela só um sonho bom, bonito e breve.

Uma sensação que nem todos os maços de cigarro do mundo, nem todo álcool, drogas, bocas, corpos, sexo, poderiam apagar. A minha vida não se divide nem em antes, nem depois, ela foi apenas durante. 

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