quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O meu engano

Certa vez, em meio a mais uma dessas bebedeiras pra afogar as magoas, uma amiga me disse: “ você não pode ver uma donzela em perigo, você tem que salvar. Para!”. Fiquei pensando sobre isso e é verdade, eu tenho uma necessidade quase existencial de “salvar” pessoas, ou como preferirem chamar, de forma mais realista, tapar buracos, curar feridas e então deixa-las ir.

Agora pensando bem, faz sentido. Mas depois que eu li um texto de Caio Fernando, onde ele fala: “A moça…Ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?” Então eu me perguntei, por quem eu espero? Eu nunca me deixei salvar, eu nunca entreguei a minha vida, de fato por inteiro, nas mãos de alguém, como quem diz: “ Toma, faz alguma coisa! Ou melhor, faz tudo! Tudo que você puder e o que não puder também, mas faz alguma coisa!”

Não sei se eu sei fazer uma coisa dessas, não consigo nem me imaginar fazendo. E, além disso, sendo assim, o que eu faria? Agora eu as entendo. Sempre enchi a boca pra falar que eu me entrego por inteiro, mas quanto engano. Eu nunca me entreguei.

Nenhum comentário:

Postar um comentário