sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Carta ao Noel

Querido Papai Noel,

Gostaria de fazer um pedido de natal. Nunca escrevi uma carta para o senhor de livre e espontânea vontade como está, a não ser aquelas cartas idiotas que as professoras te pressionam a fazer só para seguir o cronograma escolar e mostrar aos pais a criança feliz e fofa que você é.

Sempre contei com seu bom senso na hora dos presentes, nem sempre você o teve, mas também não houve traumas. Depois de um tempo passei alguns natais mais interessada em bolar um plano infalível pra pegar o senhor enquanto deixava os presentes. Contando com a ajuda de primos inúteis, nunca consegui. Até o dia que o senhor resolveu aparecer por livre e espontânea vontade, achei estranho então decidi averiguar. Como já suspeitava era só um dos meus familiares bêbados com uma roupa vermelha e uma barba feita de algodão, coisas patéticas que os adultos fazem achando que estão enchendo de mágica o natal das crianças, quando na verdade estão só destruindo um sonho. Nunca disse aos meus pais que sabia que aquele não era o “ papai Noel”, tive maturidade suficiente pra perceber que isso os magoaria.

Enfim, não estou escrevendo pra contar minha trajetória natalina, mas é que finalmente em anos eu tenho um desejo. Gostaria de perder essa capacidade incontrolável que adquiri nos últimos tempos de ser uma cretina. Eu sei que para isso eu teria que ter sido uma “ boa menina”, mas desse clichê eu só poderia dizer que fui uma menina, otária, babaca, fodia e incrivelmente cretina. Eu poderia mentir e dizer que fui uma boa menina e eu aposto que o senhor acreditaria já que a mentira faz parte do “kombo” cretino do meu ser, mas não faria sentido diante do pedido que fiz, por isso não poupei palavras, embora, meu vocabulário esteja um tanto inapropriado, julgando que estou falando com “Papai Noel”, que seja.

Eu gostaria muito de deixar de estragar tudo o tempo todo e ser alguém um pouco mais normal, um pouco menos bêbada, um pouco mais presente, um pouco menos fodidamente egoísta. Ás vezes acho que eu era mais adulta quando tinha cinco anos...


Bom, e se não for possível deixar de ser uma cretina, ao menos me traga uma bebida descente, uma garrafa de Black Label, ou uma Vodka Russa bem forte que me faça esquecer das prováveis cretinices que irei cometer daqui por diante.

Att

Nina Bria.

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