terça-feira, 8 de novembro de 2011

A moça.

Parecer forte é fácil, realmente ser é pra poucos. Em tempos difíceis, eu tento pelo menos e faço isso enquanto encho a cara pra afogar minhas magoas, reclamar da vida... Que piada né?!

Pior que isso é, as pessoas não perceberem que você está gritando socorro a cada cinco minutos que diz não precisar de ninguém. Mas que saber? Foda-se!

Me acostumei a viver sem dividir, sem me importar. Minha expressão mudou, meus gestos, o discurso... Mas será? Então um dia apareceu aquela moça, sorriso largo, mas olhos tristes. Ela olhava tudo de baixo pra cima e a cada sorriso um apelo, mas nem ela sabe.

Eu quis saber e me assustei, dei um passo a frente em direção a ela e em seguida me acovardei. Achei melhor manchar minha boca com outro batom, um que não me oferecesse perigo, um que não me interessasse ... Não adiantou! Quando ela olhou finalmente direto nos meus olhos, olhou por dentro e eu sabia que ela tinha visto quase tudo pulsando, ela notou que tinha vida. Teimei em repetir que estava morta em uma tentativa desesperada de proteção, mas do que? Ela ouvia com atenção e ás vezes achava graça, acho que da minha estupidez, provavelmente.

Fui pra casa e a moça comigo, me perturbando a ponto de me fazer criar pequenos diálogos comigo mesma onde meu “eu” racional dizia: É só mais uma garota, que drama! Acontece que não era! Ela me beijou e eu fiquei apavorada, quis abraça-la. Então recomeçava o dialogo, dessa vez intenso :

- Sai daí agora!
- Mas eu não quero ...
- Depois não reclama!

Depois disso, acordei ao lado dela. Eu a ouço com atenção e a desejo intensamente, enquanto ela brinca de me provocar como se estivesse testando estímulos, reações. Enfim me vi com medo de estar sem medo, porque a moça de repente  veio e ficou.

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