domingo, 20 de novembro de 2011

Enquanto ela dormia.

Enquanto ela dormia, eu lembrava de todas aquelas coisas malucas dela, coisa de velho, ela dizia. Ela sempre foi do tipo de pessoa que me atrai, que me interessa, nunca foi muito normal.

Sabe, sempre que eu chego lá, ela nunca me oferece um café, ou um copo de água, ela sempre diz: “ come uma bananinha, Nina.” Desde que me entendo por gente, sempre que vou lá é assim. Ela até separa umas pra eu levar pra casa depois, nunca entendi, nem muito menos perguntei por que, eu só fazia e depois de um tempo até ficava esperando por isso. Não pelas bananas em si, mas pelo som da voz dela já fraquinha dizendo: “ Leva essas aqui, ó!” Em anos ela nunca mudou de fruta, sempre bananas. Talvez ela ache que são minhas favoritas e eu nunca diria o contrário.

Nos almoços de domingo, sempre aquela carne assada, que embora repetida religiosamente, somente aos domingos é a melhor que já comi, assim como o bolo de cenoura na hora do lanche que sempre foi respeitada, mesmo depois que eu já nem saia mais de casa pra correr que nem um moleque de rua na porta, enquanto ela gritava horrores meu nome todo quando ficava brava comigo: “ Ana Carolina! Ana Carolina! Vem lanchar garota!” E quando eu chegava bem pertinho ela resmungava: “ Toda suja, parece um moleque. Vai já lavar essas mãos!”

São tantas coisas pra lembrar... Enquanto ela dormia era só essa saudade imensa que eu sentia. 

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