sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Noite Barata.

Eu me lembro que olhei o relógio e já eram cinco da manhã. Na saída do bar, o submundo entre ainda a escuridão da noite e as luzes da cidade.

Peguei um cigarro com um boliviano que estava parado ali na porta, conversamos sobre a economia com propriedade, como se dois bêbados fodidos como nós pudessem mudar alguma coisa, mas é que às vezes o álcool nos da umas certezas tão insanas, que talvez elas sejam mesmo as melhores soluções, enfim ...

Com o amanhecer, aquela vontade de me esconder do mundo, de não viver durante o dia. Fui pra casa como sempre, fedendo a álcool. Não mais que ontem,também não menos,o que faz de mim ridiculamente uma fraude quando digo que detesto rotinas, mas vivo as minhas. Por exemplo, chegar em casa fedendo a álcool todo dia... Que palhaça!

Antes de chegar em casa, numa esquina dessas mais fodidas que eu, conheci Capitu. Eu pedi a ela um cigarro e conversamos um pouco. Quando ela me disse: “Sou Capitu.” Eu falei: “ Como a de Machado...” Ela não entendeu e eu achei graça.

Tão linda... Mas tão burra. Tinha olhos curiosos, bem negros e às vezes eram assustados, pude notar durante a conversa. Tinha uma boca pequena, bem delicadinha e um cabelo comprido, da cor dos olhos, que contrastava com a pele bem branca que ela tinha.

Enquanto ela falava todas aquelas besteiras vulgares nas quais eu não conseguia prestar atenção, foi me dando um tesão só de olhar pra ela, feito coisa animal, sabe? Instinto! Puro instinto!

Fomos pro motel mais barato que encontrei, fazia parte do pacote. Se não fosse motel barato não tinha graça, daqueles cheios de néon e baratas. Bebi mais, bebi tudo, bebi ela, em meio aquela rotina do ser pateticamente fodida todos os dias.



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