quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Aquela tal covardia.

Quando a conheci eu sempre soube, desde o primeiro instante, que eu deveria ficar longe. Ela sempre abalou minhas convicções, como se só sua presença já fosse argumento suficiente para derrubar todas as minhas teses. Eu sabia que ela era mais uma daquelas coisas inevitáveis, mas ainda sim eu tentei evitar.

Ela sempre fazia questão de parecer firme, convicta nas suas opiniões, mas a mim tudo que ela dizia com certa frieza me parecia mentira, daquelas da pior espécie, aquela em que mentimos pra nós mesmos. Assim como eu, ela mentia pra si e amei isso nela desde o princípio, porque pela primeira vez não me sentia só. Mas às vezes chega uma hora que cansa, aquilo vai se tornando trivial demais pra você levar adiante e trivial ela nunca foi ou talvez tivesse sido quase que o tempo inteiro e eu é que não tenha notado, não sei.

Não sei se me apaixonei por ela ou se ao me ver refletida acabei me apaixonando pelo meu próprio reflexo. Não me surpreenderia, pouca gente sabe pois não deixo transparecer, mas meu ego é bem maior do que costuma parecer.

Eu amei cada mentira bem contada, o “gênero do não gênero”, a inconstância vinda da inquietude de tantas incertezas. Ah! As incertezas... Ela era cheia delas e tão cheia que foi a garota mais humana que já conheci.

Honesta até demais, aliás honestidade às vezes deveria ser proibida, porque dói. Amei cada tentativa dela de fugir de mim, me poupava. E amei também cada volta em forma de confissão porque no fundo, embora ela negasse, havia um afeto em relação a mim com o qual ela não sabia lidar muito bem, mas ela também tentou, não nego. Acontece que era tudo intenso demais pra ela carregar, ou ela queria que parecesse que não podia e por que? Talvez por medo, insegurança, ou até mesmo por desconhecer que é capaz de suportar sim.

 
 Com ela era sempre como se eu estivesse em uma corda bamba entre dois mundos: o meu e o dela que se confundiam tanto, mais tanto que me apavorava a ideia de cair no desconhecido. E agora? Que lado é o meu? Que lado é o dela? E isso me dava uma compreensão dos medos dela, eu até podia vê-la na outra ponta dessa mesma corda, tentando não cair, andando na minha direção até que nos encontremos, mas quando? É tão longe, tão arriscado... Decidimos parar e depois de forma definitiva cada uma voltou pra sua respectiva base segura, terra firme.

Agora pensando bem a amei em segredo porque sou tão covarde quanto ela, devo confessar. Tive medo de parecer ridícula, patética, insana. Tudo que eu dizia era sempre o mínimo, era sempre de um jeito que eu fosse, mas que pudesse voltar. A amei de forma covarde sim, mais amei tudo que ela tinha, cada detalhe, cada defeito e seus olhos azuis... Eu nunca disse o quanto amava aqueles olhos azuis, o quanto me pareciam cheios de vida, cheios de sonhos, embora, ela sempre quisesse fazer com que eu pensasse o contrário. Saudade!

Existe saudade do que nunca se teve? Se não existe ela acabou de inventar.



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