sábado, 17 de setembro de 2011

Nua.


Entre as minhas lembranças, vez ou outra me pergunto: " Como pode um começo doce ter um fim amargo?" Ora! É tão óbvio... é natural que as coisas assim sejam, mas então por que eu não consigo ver assim? Entender o inaceitável é difícil. 


Quando me dei conta do fim a primeira coisa que fiz foi me livrar da nossa primeira lembrança. Fui até o armário, peguei a caixinha de costura onde costumávamos guardar as tesouras e  cortei a fita que ela me deu no nosso primeiro encontro. Tirei do pulso e deixei ali no quarto de forma visível, pra ferir, pra magoar, mas também na primeira tentativa de me livrar um pouco dela.

Esperei sua reação, ela parecia sofrida e depois eu vi ódio em seus olhos. No mesmo instante ela arrebentou a fita que eu dei a ela e depois chorou. Pensei: " Que ridículo nós duas... É só uma fita", mas ao vê-la chorar eu entendi que era muito mais que isso. Éramos nós duas começando a nos despir uma da outra e desse dia em diante não paramos mais.

Confesso que ainda tempos depois, senti frio, muito frio ao lembrar vez ou outra de como era estar vestida dela. Hoje já completamente nua dela, me aqueço vestindo outras pessoas.

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